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2026

A desertificação crescente de Gilbués e a exploração mineral. Gilbués, uma cidade brasileira, no Piauí, sofrendo com o processo de degradação do solo com efeitos sociais graves enquanto a extração de minerais preciosos segue agravando a situação.

Eu sempre tive o sonho de viajar de carro percorrendo estradas, sem pressa, visitando novos lugares e explorando o Brasil profundo. No final de 2025 pusemos a ideia em prática. Eu e minha esposa percorremos cerca de 4000 km, saindo de Brasília, atravessando o Tocantins, subindo de barca até o Maranhão e seguindo para passar o natal de 2025 em Teresina (PI). No retorno, nosso caminho passava por essa cidadezinha no Sul do Piauí, Gilbués — região que sempre sofreu com certo empobrecimento natural do solo, o que nos EUA se chama de Badlands: terreno rico em argila que sofre erosão severa pelo vento e água.

Apesar disso, há o fator humano que intensifica esse empobrecimento: a exploração de minerais valiosos e o agronegócio. A população chama a região de “Terras Vermelhas”. Ainda assim, pequenos agricultores lutam contra a pobreza do solo com estratégias como plantio de gramíneas e covas de retenção de água da chuva.

A população local se queixa de que grandes empresas exploram o solo para extração de diamantes e criação de gado sem trazer benefícios ou programas de mitigação ambiental. A empresa que opera a extração de diamantes na região, de propriedade de um empresário israelense, pretende ampliar em até dez vezes a exploração mineral em 2026, visando 50 mil quilates extraídos por mês, com licenças ambientais e cerca de vinte empregos gerados.

É uma riqueza privada, não de recursos públicos — sem mecanismos claros de retorno ambiental e social, os números não se convertem em melhoria coletiva. Não está em debate o direito da empresa de lucrar legalmente, mas quando a extração intensifica o empobrecimento de um território historicamente frágil, torna-se legítimo exigir retorno local: programas de recuperação ambiental, um fundo local de desenvolvimento socioambiental, apoio a cadeias produtivas alternativas (agricultura regenerativa, extrativismo sustentável, turismo comunitário) e garantia de recuperação do solo degradado.

Há uma discrepância enorme entre a riqueza produzida ali e o desenvolvimento da cidade — nenhum retorno visível em termos de manutenção da natureza ou redução da desertificação. Seria interessante ver essa empresa reinvestindo parte dos lucros para que Gilbués floresça em todos os sentidos: na preservação ambiental e na economia local.

Vista aérea de terreno avermelhado com sinais de erosão, GilbuésVista aérea de área desertificada com vegetação esparsa, GilbuésPessoa a cavalo em terreno árido e avermelhado, GilbuésVista aérea de lago seco em área de erosão, GilbuésVista aérea aproximada de solo erodido e avermelhado, GilbuésVista aérea de terreno com manchas de erosão entre vegetação, Gilbués